sexta-feira, 29 de agosto de 2008

"Desobediência civil"
















Hoje é o último dia do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo e apesar de estar um pouco decepcionado por não ter comparecido a quase nenhuma sessão, fiquei extremamente satisfeito com um documentário que vi logo no primeiro dia do festival.

“Hiato”, dirigido por Vladimir Seixas, trata de uma manifestação surpreendente ocorrida no Rio de Janeiro em Agosto de 2000. Para muitos, este episódio já não faz parte das lembranças e para tantos outros, ele nunca chegou a existir de fato.

Em uma sexta-feira pela manhã, pouco mais de 100 sem-tetos, sem-terras e moradores de favelas do Rio foram fazer um passeio no Shopping Rio Sul, muito freqüentado pela alta sociedade carioca.

Ainda a caminho da zona sul, os “manifestantes” foram abordados por PMs e, questionados para onde estavam indo, responderam naturalmente que seria um simples passeio no shopping e exigiram os mesmos direitos de qualquer cidadão; o velho e bom “ir e vir”. É irônico imaginar que os policiais, majoritariamente, são também de classes desprivilegiadas e mesmo assim não conseguem se libertar por um só momento das amarras da profissão para serem solidários a seus semelhantes; neste caso, honravam sua missão e tentavam “proteger” uma classe que os despreza e está muito distante de suas realidades.

Quando os dois ônibus repletos de favelados e sem-tetos finalmente chegaram ao luxuoso shopping, seguranças e policiais começaram a se organizar para prevenir algum possível confronto ou atitude vândala. O que se viu foi o extremo oposto; o povo, que nunca havia pisado os pés em um lugar semelhante, comportou-se de maneira mais educada do que os freqüentadores assíduos e resistiram bravamente a todas as provocações.

Lojas foram fechadas e pessoas mesquinhas desdenhavam sem pudor a presença daquele grupo tão grande e imponente. Todavia, a convicção que havia entre os manifestantes de que os direitos devem ser respeitados independentemente de classe ou cor, fez com que todo o grupo não se abalasse e permanecesse tranquilamente durante o dia inteiro no shopping.

Entraram em lojas, admiraram-se nas vitrines, vestiram roupas que sabiam não poder comprar e até lancharam pão com mortadela trazido de casa na praça de alimentação. Enfim, passearam e conheceram de perto um mundo que só haviam visto intermediado por algum meio de comunicação de massa.

Visto por uma ala conservadora, o ato foi nada mais que uma forma de desobediência civil. De qualquer forma, coragem e consciência social fizeram com que todas essas pessoas decidissem mostrar a uma parcela da sociedade que, embora não aparente, existe nos morros gente que sabe o que pensa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Espere sentado, ou você se cansa...


Dias atrás, lendo uma notícia ou outra na Folha Online, acabei tomado por um susto filho da puta e, infelizmente, justificável. Peguei meu celular, já amarelado de tão velho e surrado, e me pus a fazer contas.

O resultado é desesperador, e pior, não parece ter qualquer solução prática até o momento. Estima-se que 40.000 novos veículos passaram a circular na cidade de São Paulo só nos últimos 6 meses. Fazendo as contas, desta vez com uma calculadora de verdade para ter certeza da caótica situação em que estamos, são cerca de 220 novos escapamentos e buzinas a mais por dia.

Não é, de fato, muito fácil imaginar o que esse número representa. Por algumas vezes, nos iludimos e pensamos, irresponsáveis, que em uma cidade de dimensões tão grandes, essa quantidade absurda de lata ambulante acaba se diluindo e vira algo pouco significativo.

Por outro lado, ao pegar um ônibus em qualquer avenida mais movimentada no tão discutido e repudiado “horário de pico”, somos dominados por uma sensação de impotência e ódio. Não raro, desconhecidos desabafam entre si, espremidos, e reclamam com tristeza da situação em que estão.

O Estado propõe medidas, elitistas na sua grande maioria, e o povo continua em pé, esperando...

É razoável também ressaltar que colocar o trânsito paulistano como o problema social número um da cidade seria de uma insensatez sem tamanho. Há inúmeras outras questões muito mais graves para serem resolvidas e que, embora não tão perceptíveis no dia-a-dia do cidadão comum, são de suma importância para uma possível melhoria futura. No entanto, o trânsito continua, e continuará trazendo descontentamento para a grande maioria enquanto medidas efetivas e verdadeiras não forem propostas e finalmente tomadas.

Enquanto isso esperamos, sentados ou em pé, apertados pela rotina.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Blogs...


Diferente da minha última tentativa - frustrada - de escrever regularmente em um blog, quando já no ínicio defini o mesmo como “Um blog sobre nada”, tentarei dessa vez o chavão “Um blog sobre ‘tudo’ ”.

Espero, sinceramente, que ele passe a existir de verdade. Quem sabe...