Sempre senti atração pelas donzelas.
Apesar da minha índole, imoral e devassa, as pudicas princesas figuram em minha vida como seres que transcendem a realidade; uma harmonia de pernas que, ao mesmo tempo, é ingênua e provocante. Por muitos carnavais duvidei da inocência gratuita que essas raras mulheres delicadamente carregam consigo, mas depois da jovem Marina, finalmente enxerguei; embora escasso, o pudor ainda existe.
Conheci-a em um assalto a banco; situação que seria até cômica, não fosse pelo gordo vigia que foi atingido por quatro tiros na carcaça.
A voz da doce Marina desde o início revelou sua pureza de mulher ainda intocada; “está abafado aqui dentro, não?”. Observação fantástica, pensei; concordei fitando uma pequenina imagem sacra que deslizava em seu busto; simultaneamente grotesco e excitante.
Sucedeu-se o assalto. Em meio à confusão, mal tive tempo de perceber a jovem cristã tentando buscar proteção em meus braços, no entanto, instintivamente, acolhi-a. A respiração da coitadinha, afobada e amedrontada, confirmava sua virgindade indubitável.
Depois do ocorrido, quando já estávamos recuperados do show de horror e retomando nossos respectivos rumos, pedi sem hesitar um número de telefone pra que pudéssemos marcar um encontro, queria comer aquela “freirinha” ali mesmo, fosse onde fosse. Ela, pensativa, retrucou: “não te conheço, você sequer sabe meu nome!”; era verdade, mas e daí? No mesmo segundo, arrisquei uma resposta, “o nome vem junto com o telefone, não?”. Funcionou. Apesar de muito desconfiada, pressionada pelo silêncio, deixou sua inocência derrubar seus receios e acabou cedendo.
Na primeira vez em que liguei, uns dois ou três dias depois, ela mostrou-se acuada e tentou dissimular a idéia; apesar disso, consegui convencê-la a ir tomar um suco numa padaria ali no centro. Como é que pode, convidar uma fêmea desconhecida para tomar um suco. Percebi que talvez uma boceta virgem não valesse tanto, mas preferi tentar mais um pouco.
Encontramo-nos. A conversa foi tão enfadonha que, meia hora depois, inventei um compromisso e desapareci. Ela estava gostando é verdade e, sem pensar muito, disse que queria me ver mais vezes. É claro que concordei e, assim que saí do campo de visão da divina, acendi um cigarro desesperadamente.
Liguei dias depois e fui direto – ou quase – ao ponto; “será que não podemos nos ver aí na sua casa mesmo?”. Óbvio que ela achou uma barbaridade e eu, mais pela esperança de realizar um fetiche dentro de alguns dias do que por respeito, disse que poderíamos nos encontrar novamente na mesma padaria.
Engraçado pra caralho! A coitadinha, sem jeito, pegando a minha mão e dizendo com seus lindos e singelos olhos azuis; “recebi um sinal de deus e ele me fez ver que é com você que devo virar mulher e, se tiver fé, não vou precisar nunca mais conhecer outro homem”. Eu sinceramente não sabia se gargalhava ou saía correndo, que porra de deus é esse que diz um absurdo assim? Além de estimular o coito antes do casório ainda diz que sou ideal para ela, uma pobre moça sem ninguém no mundo. Tenha dó.
Alguns outros encontros depois resolvi tocar novamente no assunto, já estava perdendo as esperanças de que a fornicação fosse acontecer. “E aí Marina, quando é que vamos conhecer sua casa?”. Seu rosto enrubesceu e ela timidamente disse para que eu ligasse; “no fim de semana quem sabe”.
Liguei.
Apesar da minha índole, imoral e devassa, as pudicas princesas figuram em minha vida como seres que transcendem a realidade; uma harmonia de pernas que, ao mesmo tempo, é ingênua e provocante. Por muitos carnavais duvidei da inocência gratuita que essas raras mulheres delicadamente carregam consigo, mas depois da jovem Marina, finalmente enxerguei; embora escasso, o pudor ainda existe.
Conheci-a em um assalto a banco; situação que seria até cômica, não fosse pelo gordo vigia que foi atingido por quatro tiros na carcaça.
A voz da doce Marina desde o início revelou sua pureza de mulher ainda intocada; “está abafado aqui dentro, não?”. Observação fantástica, pensei; concordei fitando uma pequenina imagem sacra que deslizava em seu busto; simultaneamente grotesco e excitante.
Sucedeu-se o assalto. Em meio à confusão, mal tive tempo de perceber a jovem cristã tentando buscar proteção em meus braços, no entanto, instintivamente, acolhi-a. A respiração da coitadinha, afobada e amedrontada, confirmava sua virgindade indubitável.
Depois do ocorrido, quando já estávamos recuperados do show de horror e retomando nossos respectivos rumos, pedi sem hesitar um número de telefone pra que pudéssemos marcar um encontro, queria comer aquela “freirinha” ali mesmo, fosse onde fosse. Ela, pensativa, retrucou: “não te conheço, você sequer sabe meu nome!”; era verdade, mas e daí? No mesmo segundo, arrisquei uma resposta, “o nome vem junto com o telefone, não?”. Funcionou. Apesar de muito desconfiada, pressionada pelo silêncio, deixou sua inocência derrubar seus receios e acabou cedendo.
Na primeira vez em que liguei, uns dois ou três dias depois, ela mostrou-se acuada e tentou dissimular a idéia; apesar disso, consegui convencê-la a ir tomar um suco numa padaria ali no centro. Como é que pode, convidar uma fêmea desconhecida para tomar um suco. Percebi que talvez uma boceta virgem não valesse tanto, mas preferi tentar mais um pouco.
Encontramo-nos. A conversa foi tão enfadonha que, meia hora depois, inventei um compromisso e desapareci. Ela estava gostando é verdade e, sem pensar muito, disse que queria me ver mais vezes. É claro que concordei e, assim que saí do campo de visão da divina, acendi um cigarro desesperadamente.
Liguei dias depois e fui direto – ou quase – ao ponto; “será que não podemos nos ver aí na sua casa mesmo?”. Óbvio que ela achou uma barbaridade e eu, mais pela esperança de realizar um fetiche dentro de alguns dias do que por respeito, disse que poderíamos nos encontrar novamente na mesma padaria.
Engraçado pra caralho! A coitadinha, sem jeito, pegando a minha mão e dizendo com seus lindos e singelos olhos azuis; “recebi um sinal de deus e ele me fez ver que é com você que devo virar mulher e, se tiver fé, não vou precisar nunca mais conhecer outro homem”. Eu sinceramente não sabia se gargalhava ou saía correndo, que porra de deus é esse que diz um absurdo assim? Além de estimular o coito antes do casório ainda diz que sou ideal para ela, uma pobre moça sem ninguém no mundo. Tenha dó.
Alguns outros encontros depois resolvi tocar novamente no assunto, já estava perdendo as esperanças de que a fornicação fosse acontecer. “E aí Marina, quando é que vamos conhecer sua casa?”. Seu rosto enrubesceu e ela timidamente disse para que eu ligasse; “no fim de semana quem sabe”.
Liguei.
- Oi Marina, é o Nelson.
- Oi. – lacônica e amedrontada.
- E aí, como vai ser?
- Olha Nelson, você pode até vir aqui hoje, mas tem um ‘porém’. Eu queria combinar umas coisinhas com você, pode ser?
Fiquei quieto esperando a merda que estava por vir.
- Eu sei o que você quer, e eu vou te dar, mas promete que vai ser delicado? Se eu pedir pra parar, você pára? Jura que não vai desaparecer se não gostar?
- Está bem Marina, está bem. Apareço aí às 8.
Ela deu uma risadinha e disse que me esperaria ansiosamente; acendi outro cigarro e pensei, “É hoje. Aleluia irmãos!”.
Bati à porta na hora combinada e ela, em um vestido azul celestial, me atendeu ofegante. Não parava de falar – ansiosa – de santos e dessa porcaria toda. Até que, percebendo minha impaciência, com um sorriso inocente e inexperiente, acenou que a hora finalmente havia chegado.
Eu - finalmente - conseguiria deflorar aquela menininha cheia de pudor e religiosidade. Queria começar a cerimônia ali no sofá mesmo, mas foi impossível; “tem que ser tudo no quarto”. Nunca havia sido tão tolerante em toda a minha vida. Fomos então para o quarto e começamos a nos despir; metodicamente, nada de espalhar roupas pelo chão, “coloca ali no criado mudo”.
Quando já estávamos nus em pêlo, ela, pronta para a violação e eu, pronto pra realizar meu desejo libertino, enxerguei no espelho que ficava em sua cabeceira um quadro.
Era ele, aquele que transforma água em vinho e, literalmente, é onipresente. Puta que me pariu. Olhava-nos; via com nitidez cada sulco das minhas flácidas nádegas que estavam em sua fuça. Fiquei paralisado e percebi que não conseguiria. Ele me olhava com aquele típico e eterno sorriso maroto, cabelos encaracolados, roupas leves e descoladas.
Sem dizer nada, comecei a me vestir rápido; choviam perguntas com voz chorosa e desesperada e eu continuava calado, atônito.
Marina continuou virgem e intocada, e eu, saindo dali com os cadarços ainda desamarrados, pude vê-la pela última vez; a jovem casta, nuinha, em frente àquele quadro mal pintado, sussurrando “pai nosso que estais no céu...”.
O salvador dela; meu algoz.